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BARUCH / Compliance e diligência

KYP: como conhecer seus parceiros antes e durante a contratação

Conhecer um parceiro vai além de conferir o cadastro. Uma diligência útil relaciona quem está sendo contratado, o que poderá fazer em nome da empresa e quais riscos a relação pode trazer.

O que significa KYP na prática

KYP, sigla para Know Your Partner, é a prática de conhecer e avaliar parceiros de negócio. Seu valor está na decisão que permite tomar: contratar, pedir esclarecimentos, limitar a atuação ou aprofundar uma análise. Uma lista de documentos recebidos, sem avaliação do contexto, oferece pouca ajuda para decidir sobre uma relação relevante.

Para instituições sujeitas à Circular BCB 3.978, os procedimentos de PLD/FT incluem identificação e qualificação de parceiros e prestadores, com classificação de risco das atividades. Em outras empresas, o desenho da diligência deve considerar o setor, as obrigações aplicáveis e as características da contratação, sem presumir uma regra única para todos.

Referências: Banco Central — Circular nº 3.978: identificação, qualificação e controles de PLD/FT

Comece pela função que o parceiro terá

Antes de pedir documentos, descreva a relação pretendida. O parceiro terá acesso a dados, dinheiro, instalações ou clientes? Poderá representar a empresa, indicar fornecedores ou subcontratar atividades? A resposta muda a profundidade da avaliação. Uma contratação administrativa simples e uma intermediação comercial com poderes amplos não devem receber automaticamente o mesmo roteiro.

Defina fatores objetivos de exposição e os motivos para aprofundamento. Considere o valor envolvido, os acessos concedidos, a dependência operacional e a possibilidade de agir em nome da contratante. A equipe comercial deve compreender esses critérios antes da negociação final, para que pendências relevantes não apareçam apenas quando o contrato estiver pronto para assinatura.

Confirme as informações que sustentam a decisão

Verifique a existência da empresa, sua representação e a compatibilidade entre a atividade declarada e a entrega proposta. Examine vínculos societários e conflitos de interesse pertinentes ao risco. Ao encontrar notícias ou registros públicos, confirme a identidade da entidade envolvida, a data e a situação do fato; homônimos e informações desatualizadas podem produzir conclusões equivocadas.

A CGU recomenda verificações na contratação e supervisão de terceiros e atenção ao histórico de integridade. Na aplicação prática, registre a fonte consultada e dê tratamento diferente a uma alegação, a um processo em andamento e a uma decisão definitiva. O relatório deve permitir entender a relevância de cada informação para aquela contratação.

Referências: CGU — Programa de Integridade: Diretrizes para Empresas Privadas

Registre a decisão e transforme condições em controles

Uma avaliação de KYP deve terminar com uma conclusão compreensível e um responsável pela decisão. Se houver condições, descreva exatamente o que falta, quem deve resolver e em qual momento a contratação pode avançar. Evite aprovações genéricas que não expliquem como uma divergência foi esclarecida ou por que determinado risco foi aceito.

Os controles podem incluir limites de representação, confirmação de mudanças bancárias e restrições de acesso compatíveis com a atividade. Defina também como serão tratados subcontratados e alterações de escopo. Peça apoio jurídico para refletir no contrato as condições relevantes, e confira se a operação consegue executá-las no dia a dia.

Atualize a diligência quando a relação mudar

O cadastro de entrada é um retrato de um momento. Mudança de controle, novo representante, ampliação de acessos ou alteração relevante do serviço pode justificar nova avaliação. Defina gatilhos e periodicidades proporcionais ao risco. A revisão deve esclarecer o que mudou e se as condições originalmente aprovadas continuam adequadas, sem repetir consultas sem finalidade.

Quando o trabalho envolver dados pessoais, observe a base legal pertinente e os princípios da LGPD, incluindo finalidade, necessidade e segurança. Estabeleça quem acessa os resultados e como as informações serão conservadas. A boa diligência ajuda a tomar decisões fundamentadas, mas não funciona como certificado permanente de idoneidade ou garantia de ausência de fraude.

Referências: Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais — Lei nº 13.709/2018

Perguntas frequentes

KYP e consulta de CNPJ são a mesma coisa?
Não. A consulta cadastral é uma etapa possível. O KYP relaciona identidade, representação, atividade e riscos à função que o parceiro terá na contratação.
Uma informação negativa impede qualquer contratação?
Não necessariamente. É preciso verificar sua confiabilidade, atualidade e relação com o objeto contratado, além das obrigações aplicáveis e dos critérios de risco da empresa.
Quando devo atualizar a avaliação de um parceiro?
Conforme o risco e quando houver mudanças relevantes, como novos poderes, alteração societária ou ampliação de acessos. Os gatilhos devem estar definidos no processo.

Fontes e referências

As referências fundamentam os conceitos citados. O escopo de cada trabalho depende do caso e das informações disponíveis.

Do entendimento à ação

Converse com a Baruch Antifraude sobre a diligência necessária para avaliar uma parceria ou aprofundar inconsistências identificadas.

Conte o que precisa esclarecer. A Baruch ajuda a definir as perguntas, as frentes de trabalho e as entregas adequadas ao caso.

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